
Não posso te curar, mas posso fazê-la esquecer, o que não se esforça pra lembrar. Neste exato momento eu me perguntava por que tudo não poderia acontecer a meu modo. Estava andando em um parque, havia um lago e uma roda de garotos tocando violão, sentei em um banquinho branco, observei, percebi o quanto da vida havia perdido apenas por acomodação, vontade não me faltava, me faltava fúria, disposição, apoio. Eu sempre quis ser essas pessoas sem rotinas, que de repente acordam um dia e falam “Vou viajar, não sei pra onde, mas vou”, pega suas coisas e vai, simplesmente segue, acampam com um cara que acabou de conhecer e que se torna o cara de sua vida, fica sem comida, sem água, sem luz, faz um lual, seu banho é a praia, seu esporte é amar, tocar e curtir, seu hobbie é não ter um hobbie... Tudo isso não passa de idealizações, e eu me perguntava insistentemente “Por que tudo não poderia acontecer a meu modo?” e veio a resposta, sentou-se ao meu lado e disse “Tudo aconteceu ao seu modo, suas escolhas foram o seu modo de viver”, eu só sorri, sorri por fora, mas por dento lamentava. Eu sei o quanto me dói não me importar com o que é tão importante, e como sempre faço, me acomodei com a idéia de que com o tempo eu mudaria, e que isso seria apenas mais um término, e ao sair dei de cara com o tempo que me olhou sarcasticamente e disse “Não posso te curar, mas posso fazê-la esquecer o que não se esforça pra lembrar”. Proposta tentadora e que não penso em recusar, fica aqui, guardada, e vou me tornando uma garota de negócios.

